Tema muito caro a Henri-Pierre Jeudy é o excesso de sentido. Num trabalho anterior, ele chamou de trop-plein (cheio demais, transbordante) a sociedade industrial de hoje. Não é o objeto de consumo que transborda, mas o discurso que modela o indivíduo, embalando-o com os logros de uma ética universal e com um suposto sentido de história, construído pela racionalidade dialética da ação. É difícil falar de antídotos para o veneno pós-moderno do desalento ou do abandono a que ficamos entregues pela principal conseqüência desse excesso: a neutralização da diferença entre a realidade e os simulacros produzidos pela tecnologia. A armação tecnológica (e midiática) do mundo é vetor da sobreposição do sentido à realidade, volatilizada –– ou tornada “líquida”, como prefere dizer Zygmunt Bauman –– pelo frenesi discursivo da modernidade contemporânea. De tanto falar, nada se diz, e logo sobrevém o esquecimento da diferença entre ser e parecer, entre o público e o privado, entre as mediações e a pura midiatização. Há linhas de fuga, porém. É o que vem nos mostrar Jeudy neste A Ironia da Comunicação, onde a ironia emerge como possibilidade, única talvez, de se viver o ocaso do sentido por seu excesso. Do grego elro, que significa tecer e amarrar, a ironia é um exercício do espírito, uma astúcia comunicacional, que prende o interlocutor nas malhas de um tecido lingüístico graças à soberana invenção de uma outra certeza. Dizendo o contrário daquilo que se pode querer fazer entender, o ironista zomba do mundo e aponta para um caminho situado além dos dogmas da verdade absoluta. Henri-Pierre Jeudy é um autor que “joga nas onze” em matéria de ciências sociais. Ora sociólogo, ora antropólogo, ora ensaísta filosófico, também dono de um tenso texto ficcional, ele exerce com muita liberdade as suas atividades de pesquisa no CNRS francês e de docência nos cursos que ministra esporadicamente em universidades francesas e estrangeiras. Alguns de seus livros já foram traduzidos em Portugal e no Brasil. A originalidade de sua análise em A Ironia da Comunicação está em, retomando a lição de Kierkegaard, retirar o artifício irônico da sua velha posição de radicalidade individualista do sujeito para repô-lo como forma coletiva, que é a ironia da comunidade, a partilha comunitária dos jogos de linguagem em torno do sentido.Confira a fanpage da Editora Sulina
Procurando A Ironia da Comunicação? Aqui você encontra tudo sobre este livro de Henri-Pierre Jeudy, publicado por Sulina em 1 de janeiro de 2001. Nesta página estão a descrição da obra, os detalhes da edição (112 páginas) e os formatos disponíveis para baixar: pdf, epub, txt, djvu. Se você gosta de Educação, Referência e Didáticos, Dicionários, Gramática e Linguística, Comunicação, explore também outros títulos da mesma categoria no Encontrando os melhores livros. Veja ainda as outras obras de Henri-Pierre Jeudy em nosso catálogo.
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