O título diz o sentido do ensaio crítico. Um conceito heterogéneo (livre) de arte nacional e um requisito da acção do político (dogma). O quadro de inquérito partirá dessa identidade nacional na arte, demarcado por duas linhas de pesquisa (da sua genuinidade; da sua forma de mecanismo). Associado a elas estão os reportórios: tema, essência, estética, rusticidade e classicismo, tradição e modernidade, que configuraram o painel de historicidade de uma arte nacional consumida em dogma ideológico. Suspeitamos que o genuíno, o original, no conceito de uma arte nacional, desenvolveu-se, na historiografia artística portuguesa, pela gradual disponibilidade na definição dos modos e das condições de um mecanismo de identidade, apropriado à dimensão do político, mantendo em aberto o carácter multifacetado que dela emana e é razão da sua eficácia. E é nisto, precisamente, que a arte se tornou num mecanismo temível, na proporção exacta da operatividade que lhe garantiu um êxito nos regimes totalitários e autoritários. Foi, fundamentalmente, enquanto modelo de operatividade, que a contemporaneidade a herdou da época moderna, no seu uso e valor. Importa, por isso, submeter este modelo a desbaste.
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