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Descrição do livro

As memórias mais marcantes do século XX — escritas no exílio, publicadas após a morte, essenciais para o nosso tempo.

Stefan Zweig nasceu na era dourada da civilização europeia, um mundo que acreditava no progresso, valorizava a cultura acima do nacionalismo e considerava a paz permanente. De sua posição privilegiada em Viena — capital cultural do Império Habsburgo — ele testemunhou o último grande florescimento do humanismo cosmopolita. Conheceu Rilke e Freud, Hofmannsthal e Richard Strauss. Transitava com facilidade entre Paris, Londres, Berlim e Roma. Nos anos 1920, era um dos autores mais traduzidos do mundo.

Então, ao longo de três décadas, assistiu àquela civilização inteira se autodestruir.

O mundo de ontem é a tentativa de Zweig de capturar o que foi perdido — o brilho intelectual da Viena pré-guerra, a loucura da febre patriótica de 1914, a hiperinflação que destruiu a classe média austríaca, a ascensão de Mussolini e Hitler, o pesadelo do exílio. Escrevendo sem acesso a suas anotações ou biblioteca, confiando puramente na memória, Zweig cria algo mais valioso do que uma autobiografia convencional: uma meditação sustentada sobre a fragilidade da civilização, escrita por uma testemunha que compreendia exatamente o que estava sendo destruído e por que isso importava.

Isso não é simplesmente um testemunho histórico. É um alerta e uma profecia. Zweig descreve com que rapidez as normas democráticas colapsaram, como o antissemitismo virulento irrompeu em países onde os judeus se sentiam integrados, como a realização cultural se mostrou indefesa contra a barbárie totalitária. Ele registra o fracasso dos intelectuais em resistir, a transformação de vizinhos em inimigos, a velocidade com que ideais cosmopolitas cederam lugar ao ódio tribal.

As memórias foram concluídas no Brasil em fevereiro de 1942, enviadas à editora em 21 de fevereiro. No dia seguinte, Zweig e sua esposa tiraram suas próprias vidas. Ele não conseguiu sobreviver à destruição de tudo o que valorizava. Mas nos deixou este livro — eloquente, com o coração partido, lúcido tanto sobre as conquistas de sua geração quanto sobre seus fracassos catastróficos.

Para leitores em nossa própria era incerta, O mundo de ontem fala com uma urgência incômoda. As perguntas que Zweig faz se tornaram nossas perguntas. Os perigos que ele testemunhou não desapareceram. Seu testemunho nos lembra que a civilização nunca é garantida — ela deve ser defendida, ou será perdida.

Uma obra-prima de testemunho e alerta. As memórias essenciais da catástrofe europeia. Leitura obrigatória para a nossa época.

Número de páginas :477
Encadernação O mundo de ontem:Kindle