Acredito piamente que ao nascermos temos nosso destino traçado. Porém, nós os gaúchos, não nos basta ficarmos simplesmente sentados em um banquinho de corticeira junto ao braseiro do fogo de chão, palmeando um “verde”, de bombacha arregaçada, de guaiaca, de lenço no pescoço, de chapéu tapeado na testa. Olhando pela porta escancarada do galpão, lá longe numa infinita “légua de beiço”, a beleza perdida da várzea, as redobradas coxilhas, os tons e sobretons das matas, escutar o relincho de um bagual e o canto do quero-quero.
E daí!
Acreditamos, também que ao nascermos temos um santo nos fazendo um “costado”, nos dando “um de mão” na hora certa: o Anjo da Guarda!
E daí!
Não podemos ficar o dia inteiro admirando a divindade do céu e o esplendor do Criador e olvidarmos que a escuridão vai chegar povoando de mistérios às trevas da noite.
E daí!
Igualmente, lembremo-nos: no oratório da vida até os santos gostam de uma vela para “alumiar” suas graças.
Assim é que, como cristãos temos que ter fé, intensidade de luz, confiança e limpidez plena na ação de avançar para conquistas de horizontes desconhecidos e muita humildade diante do Criador, pois o grande arquiteto do universo foi-me bondoso e fez-me encontrar Os 3 Xirus.
Gente assim desse porte.
Tive o privilégio de “sentar marca” nesse conjunto: ser seu padrinho artístico.
De início os irmãos Bruno e Elmo Neher – oriundos de Panambi, terra nativa indígena das multicores borboletas, depois apareceu o Alcides de larga experiência artística, depois se somaram outros a “xiruzada” afinando o diapasão no bem representar artística e culturalmente a gente do Rio Grande do Sul.
O grupo Os 3 Xirus faz-me lembrar pelo desenvolvimento de suas ações. Pelos desafios, pelas dificuldades enfrentadas, pelas conquistas e aplausos nestes 45 anos de intensa vida artística, as figuras do grande romance do século passado escrito pelo francês Alexandre Dumas, sob o título “3 mosqueteiros” que ao final tinham outros integrantes...
Bem, mas a missão de um padrinho é estar presente na eventual ausência paterna ou dando assistência a melhores rumos ao afilhado. No entanto, nada disso foi preciso, Os 3 Xirus desde que nasceram vem oferecendo até hoje o aplauso do Rio Grande pela dignidade e qualidade de suas atuações artísticas e fonográficas.
Já está na hora de analistas e críticos discográficos gaúchos e nacionais, dimensionarem com o devido cuidado, a importante contribuição “sociológica” dos 3 Xirus, relacionada a cultura popular teuto-riograndense, afora o neologismo de suas composições que marcam presença folclórica na formação étnica do gaúcho-povo nos dias modernos.
Xiruzada!
Como é bom recordarmos os grandes momentos em que estivemos juntos, em shows, em espetáculos teatrais, na TV, em convenções urbanas, em rodeios, em festas rurais por este Rio Grande a dentro. Por distantes plagas brasileiras, afora por terras lusitanas na Feira Internacional de Santarém”, festa agropastoril de Portugal.
Caro Bruno!
Acredito piamente que Os 3 Xirus vem cumprindo com dignidade e sucesso a missão que o grande arquiteto do universo lhe traçou por destino, na preservação das sagradas tradições gaúchas.
Meu sincero quebra-costela.
J. C. Paixão Cortes – folclorista
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