Quase todo evento possui seu prelúdio profético. É um dito antigo e comum que “os eventos vindouros lançam suas sombras antes de si.” O sábio nos ensina a mesma lição no versículo diante de nós. Quando a destruição caminha pela terra, ela lança sua sombra — esta se manifesta na forma de orgulho. Quando a honra visita a casa de um homem, também lança sua sombra antes — esta aparece na forma de humildade. “Antes da destruição, eleva-se o coração do homem.”
O orgulho é tão certamente um sinal de destruição quanto a mudança do mercúrio no barômetro é um sinal de chuva, e ainda mais infalivelmente. Assim como “antes da honra vai a humildade,” do mesmo modo antes do verão, os doces pássaros retornam para cantar em nossa terra. Tudo tem seu prelúdio. O prelúdio da destruição é o orgulho, e o da honra, a humildade.
Não há nada em que o coração humano caia tão facilmente quanto o orgulho, e, no entanto, não existe vício que seja mais frequentemente, mais enfaticamente e mais eloquentemente condenado nas Escrituras. Contra o orgulho, os profetas levantaram suas vozes, os evangelistas falaram e os mestres discursaram. Mais ainda, o Deus eterno alcançou as maiores alturas da eloquência ao condenar o orgulho do homem, e a linguagem poderosa do Eterno fluiu com mais esplendor ao expressar Sua condenação ao orgulho da natureza humana.
Talvez a passagem mais eloquente da Palavra de Deus esteja próxima ao final do livro de Jó, onde, em sublimes e incontestáveis palavras, Deus esconde o orgulho do homem ao confundi-lo completamente. E há outra passagem igualmente eloquente no capítulo catorze de Isaías, onde a santa ira do Senhor parece ter se inflamado contra o orgulho humano, quando Ele o condena de forma total e eficaz.
Ele diz a respeito do grande e poderoso rei da Babilônia: “O inferno, desde o profundo, se turbou por ti, para sair ao teu encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, todos os príncipes da terra; fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também estás fraco como nós? E és semelhante a nós? Já foi derrubada na sepultura a tua soberba, e a música das tuas violas; os bichos debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão. Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, e considerarão, dizendo: É este o homem que fazia estremecer a terra e fazia tremer os reinos?”
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