“Mais ainda o Senhor teu Deus mandará entre eles vespões, até que pereçam os que ficarem e se esconderem de ti.”
Deuteronômio 7.20
INTRODUÇÃO
Vamos espiritualizar a história da conquista de Canaã pelos filhos de Israel. Canaã foi dada a Abraão e à sua descendência por um pacto de sal. Nosso corpo, alma e espírito são dados a Cristo Jesus como Sua porção e herança, e o princípio nascido de novo em nós — que representa a semente de Israel — deve conquistar todo o nosso ser para Cristo, para que Ele possua tudo em nós: forças e paixões, partes e faculdades.
Quando nosso Senhor Jesus Cristo morreu, Ele morreu não apenas por nossas almas, mas também por nossos corpos; e Ele não comprou o direito de apenas uma parte de nós, mas de todo o nosso ser. Em Sua paixão, Ele visou a nossa santificação plena — espírito, alma e corpo — para que, nesse reino triplo, Ele mesmo reinasse supremo, sem rival.
É dever da nova natureza que Deus concedeu ao regenerado reivindicar os direitos do Senhor Jesus Cristo. “Ó minha alma, na medida em que és filha de Deus, deves conquistar todo o restante de ti que ainda não foi abençoado. Deves subjugar todas as tuas forças e paixões ao cetro de prata do gracioso governo de Jesus, e nunca te dar por satisfeita até que Aquele que é Rei por aquisição se torne também Rei por graciosa coroação, e reine em ti supremo.”
Embora Israel tivesse direito sobre Canaã, os heveus, jebuseus e sete nações poderosas a possuíam. E, ai de nós! Somos forçados a sentir dolorosamente que, embora Cristo tenha direito sobre nós — e só Ele deva reinar em nossos corpos mortais — o pecado ainda habita em nós.
Esses velhos pecados, nascidos conosco, e que parecem não morrer até que sejamos nós mesmos envoltos em nossos lençóis mortuários, entraram em nós e habitam em nós. Posso dizer de nossa natureza o que foi dito no Egito durante a praga das rãs: “Eis que essas coisas imundas subiram até os nossos quartos, até nossos fornos e nossas amassadeiras” — não há parte do nosso coração que seja quente demais ou sagrada demais para que o pecado não se intrometa nela. Toda a cabeça está enferma, e todo o coração desfalecido. Desde a planta do pé até a cabeça, naturalmente, não há nada além de feridas, contusões e chagas purulentas. O pecado entrincheirou-se em nossa natureza, e não será expulso apenas com palavras ou com as nossas melhores resoluções.
Nossos pecados possuem carros de ferro — como sabem bem aqueles que precisam combatê-los — e suas cidades estão muradas até os céus, com entrincheiramentos fortíssimos. Os pecados se misturaram tanto com nossa carne que esta clama: “Poupa-os.” “Certamente já passou a amargura da morte”, disse Agague, quando se apresentou delicadamente diante de Samuel.
E assim os nossos pecados vêm a nós com tanta delicadeza, assumem formas tão agradáveis e nos são tão familiares, que algo dentro de nós sussurra: “Deixa-os viver, é difícil matá-los, tão difícil arrancá-los pela raiz, pois eles estão em posse, e a nova natureza é apenas um bebê. Mas a velha natureza é um velho homem, e é uma luta muito desigual entre um bebê e um velho.”
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