Um livro, dois finais. Você decide como a história termina! O engarrafamento no quilômetro 47 da BR-101 não era um engarrafamento comum. Começara às quatro da tarde, quando uma carreta tombou bloqueando as duas pistas, e se estendia agora por mais de quinze quilômetros, uma serpente de metal e vidro brilhando sob o sol de verão. Centenas de veículos estavam parados, e a previsão era de que a pista só seria liberada na manhã seguinte. Para os quarenta e dois passageiros do ônibus da Viação Estrela do Sul, que fazia a rota do litoral para a capital, isso significava doze horas de confinamento. Doze horas sem ar-condicionado, sem água potável suficiente, e — como descobririam em breve — sem banheiro. Diana embarcara às três da tarde, depois de uma semana de férias na praia. Estava bronzeada, descansada, e carregava na bolsa um vidro de pimenta artesanal que comprara numa barraquinha de beira de estrada — um presente para o pai. O vidro, porém, estava mal vedado, e a pimenta vazara sobre os biscoitos que ela comera durante a primeira hora de viagem. A ardência foi leve, quase agradável. O que veio depois, nem tanto. Entre os passageiros, um vendedor de seguros que comera pastel de camarão na rodoviária, uma senhora que voltava de um velório com diverticulite, um estudante de medicina que diagnosticava mentalmente cada sintoma, e um motorista que anunciou com voz constrangida: "O banheiro está interditado. A descarga não funciona." A cólica de Diana começou às cinco e meia. Atribuiu aos biscoitos. Às seis, já não conseguia ficar sentada. Quando uma flatulência devastadora escapou e o vendedor de seguros farejou o ar perguntando "morreu algum bicho aqui?", Diana, pálida, respondeu: "Ainda não. Mas está próximo." O mato à beira da estrada era rasteiro demais para oferecer cobertura. Os carros ao redor estavam ocupados por famílias que observavam tudo com desconfiança. A única saída era esperar — ou pular pela janela de emergência, como fez o senhor que não aguentava mais. "Sem Saída" é o novo livro da série Eventos Extremos, de Anna F. Simpson. No Final A, a emergência une os passageiros, que transformam a noite de desespero em uma irmandade. No Final B, cada um volta para casa, mas com a certeza de que o inferno não é o engarrafamento — é o que acontece quando não há banheiro. E, como todo bom viajante descobre, o importante não é o destino. É o que se aprende na fila do banheiro químico.
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