Um livro, dois finais. Você decide como a história termina! Eduardo acordou com uma cólica que não era fome, nem nervosismo — era um presságio. Tinha quarenta e sete anos, uma conta bloqueada por uma tarifa indevida e a certeza de que aquela sexta-feira seria péssima. O banco abrira às dez, e ele chegara às nove e quarenta, achando que seria o primeiro da fila. Engano: já havia trinta pessoas à sua frente, todas com senhas, boletos e expressões de mártires. O ar-condicionado não funcionava. O painel eletrônico piscava como um olho nervoso. E o banheiro — o único da agência — amanhecera interditado, com uma placa amarela: "EM MANUTENÇÃO". Eduardo não queria estar ali. Mas precisava desbloquear a conta para pagar o aluguel. E, para piorar, comera um pastel de frango no self-service da esquina — o "Sabor & Cia", famoso pelas promoções suspeitas e pela maionese que passava o dia fora da geladeira. Ele não foi o único. Na fila, a senhora do poodle escondido na bolsa, o motoboy desempregado, a estudante de direito, o aposentado de boina e até o segurança começaram a sentir os mesmos sintomas. A cólica era coletiva. Quando o sistema caiu, a fila travou de vez. E foi então que o primeiro sintoma se tornou impossível de ignorar. Uma flatulência devastadora escapou de alguém, espalhando pelo ar o cheiro de frango vencido, maionese azeda e desespero puro. Alguém perguntou, com a voz abafada: "Morreu algum bicho aqui?" E a resposta veio, baixinha: "Ainda não. Mas está próximo." "Fila no Banco" é o mais recente volume da série Eventos Extremos, de Anna F. Simpson. Uma comédia urbana sobre burocracia, confinamento e a descoberta de que o corpo não aceita senha, não respeita fila e não espera o sistema voltar ao ar. No Final A, os clientes se unem em uma revolta bem-humorada e transformam a agência em um espaço de solidariedade, criando o "Coletivo Fila do Banco". No Final B, cada um resolve seu problema à sua maneira, e a história da fila vira lenda de bairro. Porque, no banco, o que rende juros é o tempo — mas o que rende histórias é o desespero. E a maionese vencida, como a burocracia, é uma arma química que ninguém esquece.
Autores populares
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