Henrique de Ofterdingen: Um Romance, em Edição Integral com o Relato do Desfecho por Ludwig Tieck Novalis Em Março de 1801, Novalis morreu com vinte e oito anos, deixando por terminar aquele que viria a ser o romance mais influente do Romantismo alemão. Um ano depois, os seus amigos mais próximos, Ludwig Tieck e Friedrich Schlegel, publicaram o manuscrito tal como Novalis o deixara, acompanhado de um relato precioso: as próprias palavras de Tieck sobre como o autor lhe confiara, em conversa, o desfecho que planeava para a obra. É esse relato, raramente incluído nas edições em português, que esta edição da Pymandra recupera na íntegra. Henrique de Ofterdingen é a história de um jovem poeta em formação, movido por um sonho: uma flor azul de rosto delicado que lhe aparece numa visão e o lança numa viagem de autodescoberta através da Alemanha medieval. A flor azul (die blaue Blume) tornar-se-ia o símbolo mais reconhecível de todo o Romantismo alemão, muito além do próprio livro: um emblema do anseio pelo infinito, da poesia como forma de conhecimento, da distância entre o mundo visível e aquele que a alma pressente atrás dele. Novalis, pseudónimo de Friedrich von Hardenberg, escreveu esta obra num diálogo directo com Os Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister de Goethe, que muitos leem como o contraponto que Novalis procurava superar em direcção ao maravilhoso. O resultado é um romance que atravessa o realismo inicial e mergulha, capítulo a capítulo, no místico, culminando no conto de fadas de Klingsohr, um dos textos mais densos de toda a literatura romântica alemã. A influência de Novalis estende-se muito para além do seu século. Hermann Hesse, autor de Siddharta e O Lobo das Estepes, reconheceu-o como fonte directa. Jorge Luis Borges citou-o repetidamente. O motivo da flor azul continua vivo na fantasia e na ficção especulativa contemporâneas. Esta é a primeira tradução portuguesa europeia moderna da obra completa, incluindo o relato do desfecho por Tieck. Uma obra central para quem já leu Hinos à Noite do mesmo autor, ou para quem procura, na literatura hermética e no misticismo romântico, os mesmos territórios que a filosofia perene explora por outras vias.
Tradução de Miguel M. Gomes Pymandra
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